SECRETARIA DE AGRICULTURA E ABASTECIMENTO
AGÊNCIA PAULISTA DE TECNOLOGIA DOS AGRONEGÓCIOS

 

INSTITUTO DE PESCA

PISCICULTURA: INVERNO REQUER CUIDADOS ESPECIAIS

No período de inverno, a queda da temperatura da água é considerada um dos pontos críticos nas pisciculturas de peixes tropicais, principalmente com a intensificação das criações onde se trabalha com alta densidade de estocagem nos viveiros. Essa época, com registro comum de temperatura da água abaixo de 18o C, é problemática para tilápias, piaus e peixes redondos tanto em relação ao crescimento quanto à sobrevivência e até debilitação dessas espécies.

Assim, Luiz Marques da Silva Ayroza, pesquisador do Instituto de Pesca, recomenda algumas medidas para antes da entrada e mesmo durante o inverno. Ele explica que se deve adotar um manejo que propicie o melhor bem estar dos peixes, com alimentação rica em vitaminas e controle da qualidade da água.

A partir do mês de abril, Ayroza mostra a importância da calagem dos viveiros, utilizando-se 30 gramas de cal virgem por metro quadrado duas vezes ao mês, além de: a) após a aplicação da cal, controlar o pH da água, que não deve ultrapassar 8,5; b) fornecer boa alimentação aos peixes, com ração balanceada e bom teor de vitamina C (acima de 300 mg/kg); c) limpar os viveiros, retirando toda vegetação existente; d) controlar a qualidade da água, mantendo os seguintes níveis: pH entre 6,5 e 8,0; alcalinidade acima de 40 mg CaCO3/L; transparência entre 30 e 40 cm; oxigênio dissolvido acima de 2,0 mg/L; e amônia abaixo de 0,5 mg/L.

Já durante o mês de maio, Luiz Ayroza recomenda: a) controlar a quantidade diária de alimento; b) reavaliar a densidade de peixe estocado, com possível remanejamento dos animais para diminuir a relação peixe/m2; c) se possível, aumentar a profundidade dos viveiros, mantendo-os acima de l,80 m; d) controlar a qualidade da água nos mesmos níveis descritos para abril, exceto para a amônia: em maio, abaixo de l,0 mg/L.

Durante os meses de junho e julho, é importante: diminuir a quantidade diária de alimento e o fluxo de água, usar aeradores no período noturno e controlar a qualidade da água.

Segundo João Donato Scorvo Filho, também pesquisador do Pesca, não se deve realizar adubação com temperaturas da água abaixo de 20o C, para não haver diminuição do teor de oxigênio dissolvido na água. O pesquisador diz também que não se deve manejar os peixes, isto é: realizar biometrias, capturar os animais com redes ou tarrafas etc.

Em dias nublados, João Scorvo mostra a importância de se acompanhar com rigor os níveis de oxigênio dissolvido na água: se ficar abaixo de l mg/L, deve-se suspender a alimentação e ligar o aerador. Ele diz que é muito importante também o tratador observar se a quantidade de alimento atende a necessidade dos peixes, não devendo haver sobras.

No inverno, deve-se efetuar a alimentação no horário mais quente do dia. Na dúvida ou com o aparecimento de qualquer anormalidade com os peixes, a recomendação é procurar um profissional e não utilizar medicamento sem a devida orientação técnica.

O Instituto de Pesca, vinculado à Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento, oferece orientação técnica e serviços laboratoriais para análises patológicas e da água.

Instito de Pesca - Av. Francisco Matarazzo, 455 - Água Branca - São Paulo - SP - 05001-900

(11) 3871.7512

Fonte: Instituto de Pesca

Página Principal